Associações emitem nota de repúdio contra negativa da Conitec para incorporação de medicamento para nanismo no SUS

Associações emitem nota de repúdio contra negativa da Conitec para incorporação de medicamento para nanismo no SUS

Documento foi publicado por Instituto Nacional de Nanismo e Annabra solicita audiência pública para ampliar diálogo sobre fornecimento do Voxzogo

O Instituto Nacional de Nanismo (INN) e a Associação Nanismo Brasil (Annabra) assinaram em conjunto, uma nota de repúdio manifestando preocupação diante da possibilidade de não incorporação da vosoritida (Voxzogo) ao SUS sem a realização de uma Audiência Pública que garanta transparência, participação social e amplo debate sobre o tema. A nota foi publicada no Instagram e é assinada pelas presidentes das duas entidades, Juliana Yamin (INN) e Kênia Rio (Annabra). 

Na última quinta-feira (18), a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) realizou a reunião final para decidir a incorporação do Voxzogo ao SUS, mas deu um parecer desfavorável. Agora, o documento foi encaminhado ao Ministério da Saúde para decisão final. Neste intervalo pode ser realizada uma audiência pública, apesar de não ser obrigatória no processo. 

O medicamento, indicado para crianças e adolescentes com acondroplasia (o tipo mais comum de nanismo), passou por análise inicial em fevereiro e, na sequência, foi submetido a consulta pública que registrou 14.266 contribuições — a terceira maior votação envolvendo medicamentos na história do órgão. O Voxzogo é usado em em crianças e adolescentes com acondroplasia durante o tempo em que as placas de crescimento ainda estão abertas e além de crescimento, tem mudado o curso da doença com diminuição de comorbidades como problemas respiratórios e garantindo maior autonomia. 

Seu valor de tratamento, entretanto, ultrapassa R$700.000 anualmente. Atualmente mais de 450 crianças estão em utilização, mas o acesso é apenas por meio de decisões judiciais. 

Confira a nota na íntegra

É inaceitável que uma decisão com impacto direto na vida de crianças com acondroplasia e suas famílias seja tomada sem que todas as alternativas de acesso tenham sido devidamente discutidas com a sociedade, especialistas, gestores públicos e a indústria farmacêutica.

Reconhecemos os desafios relacionados ao custo da tecnologia, mas defendemos que o diálogo deve preceder qualquer decisão definitiva. Existem mecanismos de negociação de preços, acordos de compartilhamento de risco e outros modelos já utilizados internacionalmente que precisam ser avaliados antes de se negar o acesso a um tratamento que apresenta benefícios clínicos reconhecidos.

A ANNABRA o INN com apoio das associações de doenças raras reforçam a necessidade urgente de realização de uma Audiência Pública na Conitec e da abertura de uma mesa de negociação entre o Ministério da Saúde e a indústria farmacêutica, buscando alternativas viáveis que conciliam sustentabilidade do SUS e o direito à saúde das pessoas com acondroplasia.  Decisões sobre doenças raras precisam ser construídas com diálogo, transparência e participação social. 

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